quinta-feira, 24 de junho de 2010

Teoria: Definição

O que é Teoria?

No Blog de Paulo Freire, pretende-se apresentar uma das definições do conceito de teoria relacionando-a dialeticamente e dialogicamente com o conceito de práxis, uma vez que, tanto Freire, como Pistrak e Makarenko apresentaram suas teorias construindo seus fundamentos e pressupostos diretamente a partir de suas práxis educativa.

Teoria é uma coisa e Prática é outra?

Pesquisando a etimologia da palavra teoria, de acordo com Pereira:

Se você abre uma enciclopédia ou um dicionário de filosofia e procura o verbete teoria, certamente vai perceber (...) com relação ao seu significado original grego: os dicionaristas em sua maioria identificam este termo com contemplação, ato contemplativo, ou mesmo beatitude (PEREIRA, 1988a, p. 7).

Teoria e Práxis caminham juntas?

Entretanto, os problemas relacionados ao conceito ou definição de teoria não se limitam apenas à etimologia grega do termo, visto que, conforme o mesmo autor:

A questão não reside só nesta primeira identificação etimológica de teoria como contemplação ou atividade desinteressada. Boa parte dos autores até contrapõe teoria à prática. Se não como duas realidades excludentes entre si, pelo menos como tese e antítese de um mesmo processo (Idem, 1988a, p. 7-8).

Teoria e Ideologia

Pereira afirma que alguns autores atribuem ao significado do conceito de teoria, estabelecendo a vinculação direta com os conceitos de ideologia, apresentando-a como sendo um conjunto doutrinal bem elaborado, sistemático, seja de um pensamento, seja de uma ciência. (Idem, 1988a, p. 8).

O mesmo autor ressalta ainda que em todos esses significados não deixa de estar presente aquele sentido de contemplação abstrata (Idem, 1988a, p. 8). Nesta perspectiva, pondera que só a etimologia da palavra (...) teoria enquanto contemplação intelectiva ou abstrata, não nos abre espaço para que possamos compreendê-la além do âmbito da pura abstração (Idem, 1988a, p. 8).

Senso comum e Teoria

De acordo com Otaviano Pereira, autor do livro O que é Teoria, algumas frases mostram uma relação equivocada entre teoria e práxis cristalizada no senso comum:

“Na prática a teoria não acontece da forma como esperamos”
“Isto é muito teórico ... a vida é diferente ... a vida cotidiana é outra coisa ... não tem nada que ver com livros ou idéias”
“Este individuo é muito teórico, vive nas nuvens da abstração, não é um elemento prático, não pisa o chão, não fala das coisas concretas ... não vive o dia-a-dia ... não fala a linguagem do povo”. (PEREIRA, 1988a, p. 12)


Teoria: abordagens do pensamento clássico e moderno

Pereira salienta que a unidade teoria e prática não foi alcançada nem pelo pensamento clássico e tampouco pela ciência moderna e que, por essa razão, não devemos optar por nenhuma das duas abordagens, justificando por um lado que o pensamento clássico exagerou o lado da teoria ou conhecimento teórico da realidade como abstração e, de outro, a abordagem científico-experimental prendeu-se demais à experimentação do objeto concreto (Idem, 1988a, p. 65-66)

Teoria marxista da educação

De acordo com Tom Bottomore, autor do Dicionário do Pensamento Marxista, a teoria marxista da educação não está dissociada da práxis que a fundamenta, citando alguns dos teóricos da educação pesquisados e debatidos na disciplina de Teorias em Pedagogia, no 1º. Semestre de 2010, como Pistrak e Makarenko:

Os elementos de uma concepção marxista de educação começam a surgir da década de 1840, em muitas obras de Marx e Engels (O Capital, A ideologia alemã, Crítica ao Programa de Gotha e Princípios do comunismo, de Engels). Posteriormente, uma teoria mais coerente da educação foi gradualmente construída sobre esses fundamentos. Grande impulso lhe foi dado pela Revolução de Outubro e sua necessidade de uma práxis educacional marxista (Lênin, Krupskaia, Blonskii, Pistrak e Makarenko). Na verdade, a teoria da educação é, essencialmente, uma teoria da prática. Bebel, Jaurès, Klara Zetkin, Liebknecht, Gramsci, Langevin, Wallon e Seve foram algumas das principais figuras que para ela contribuíram. Hoje em dia, inúmeros pesquisadores dedicam-se ao seu desenvolvimento.(BOTTOMORE, 1988b, p. 122)

De acordo com o mesmo autor, os principais pressupostos da teoria marxista da educação são:

(1) Educação pública gratuita, compulsória e uniforme para todas as crianças, que assegure a abolição dos monopólios culturais ou do conhecimento e das formas privilegiadas de instrução. Em suas formulações originais, essa educação teria de ser realizada em instituições. (...)
(2) A combinação da educação com a produção material (ou, numa das formulações de Marx, a combinação de instrução, ginástica e trabalho produtivo). O objetivo implícito no caso não era um melhor preparo vocacional, nem a transmissão de uma ética do trabalho, mas a eliminação do hiato histórico entre trabalho manual e trabalho intelectual, entre concepção e execução, assegurando a todos uma compreensão integral do processo produtivo. (...)
(3) A educação tem de assegurar o desenvolvimento integral da personalidade. Com a reaproximação da ciência e da produção, o ser humano pode tornar-se um produtor no sentido mais completo. Assim sendo, suas potencialidades podem ser reveladas e desenvolver-se. (...)
(4) À comunidade é atribuído um novo e considerável papel no processo educacional, que transforma as relações entre os grupos dentro da escola (que evolui da competição para a cooperação e o apoio mútuo) e implica uma relação mais aberta entre a escola e a sociedade, pressupondo uma relação biunívoca e mutuamente enriquecedora entre professor e aluno.
(BOTTOMORE, 1988b, p. 122)

Bottomore enfatiza o papel socializador e igualitário das instituições educacionais marxistas defendidas, sobretudo, por dois teóricos da pedagogia socialista, discutidos e debatidos durante as aulas e seminários da disciplina Teorias em Pedagogia, durante as quais foram estudados e pesquisados onze teóricos da educação, durante o 1º. Semestre de 2010, destacando que as experiências educacionais revolucionárias de mais êxito foram as realizadas em instituições, desde as experiências de Pistrak e Makarenko até as experiências cubanas (BOTTOMORE, 1988b, p. 122).

Entretanto, o autor ressalta que, apesar da coerência teórica dos princípios da teoria marxista da educação, revelou-nos que:

Sua aplicação prática (como mostram as experiências de vida breve, ou as experiências que tiveram um êxito apenas parcial) apresenta problemas, particularmente nas atuais condições de rápidas transformações científicas e tecnológicas. (BOTTOMORE, 1988b, p. 122).

O autor esclarece ainda que a teoria marxista da educação não é fechada em seus pressupostos, havendo varias correntes teóricas de interpretação de seus princípios e de sua práxis a eles relacionada. Dentre os principais debates teóricos entre os próprios marxistas e dos marxistas com os não marxistas, Bottomore destaca as discussões:

Sobre a teoria da personalidade (...) a controvérsia “natureza/cultura”, a discussão sobre o papel da escola e da educação na reprodução social e sobre o potencial inovador da escola e da educação face às determinações sociais mais gerais bem como sobre a importância relativa dos conteúdos, dos métodos, e da estruturação da educação como instrumento da transformação social. (BOTTOMORE, 1988b, p. 122).

Dentre os principais autores e teóricos da educação marxista, citados na Bibliografia do verbete Educação destaca-se o educador brasileiro Paulo Freire, teórico enfocado neste Blog, bem como a mais conhecida de suas obras, citada no referido Dicionário – Pedagogia do Oprimido.

Conclusões e considerações finais

O autor defende uma abordagem da teoria a partir da ação, ou seja, a unidade da teoria e prática na “práxis”, citando como exemplo a famosa frase de Lênin de que só uma teoria revolucionária cria uma ação revolucionária. (Charge apud PEREIRA, 1988a, p. 81)

Os teóricos e educadores Paulo Freire, Anton Makarenko e Moisey Pistrak em suas trajetórias e cada um em uma determinada sociedade e em diferentes momentos históricos estabeleceram uma relação dialógica entre a teoria e a práxis pedagógica.

Referências Bibliográficas

BOTTOMORE, Tom. Dicionário do Pensamento Marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988, p. 122; 373-381.
FREIRE, Paulo. Que fazer? Teoria e Prática em Educação Popular. Petrópolis, Vozes, 1989.
PEREIRA, Otaviano. O que é Teoria? 6ª. ed. São Paulo, Brasiliense, 1988, Coleção Primeiros Passos, v. 59.

Um comentário:

  1. Não é que você aprendeu a fazer o tal blog! (rs...)

    Beijos!

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